DESINFECÇÃO E QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO EM PORTUGAL

08/10/2010

“DESINFECÇÃO E QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO EM PORTUGAL”

POSIÇÃO DA APDA

Nos passados dias 1, 2 e 3 de Outubro foi divulgado pela estação de televisão SIC (em diversos serviços noticiosos e no programa “Grande Reportagem”, com o título “Desta Água Beberei?”) e pelo jornal Expresso, um “estudo”, elaborado com a colaboração da organização ambientalista Quercus, versando a situação da qualidade da água para consumo humano em Portugal.

O referido “estudo” SIC/Expresso/Quercus surgiu na sequência da apresentação pública, no passado dia 30 de Setembro, do relatório anual da ERSAR sobre o “Controlo da Qualidade da Água para Consumo Humano” em Portugal referente a 2009.

A Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA) – entidade não-governamental que representa e defende os interesses das entidades responsáveis pelos sistemas públicos de águas de abastecimento e de águas residuais e demais agentes a operar neste domínio em Portugal – vem por esta forma afirmar que se revê na posição veiculada pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), contestando o referido “estudo”, e reitera que a qualidade da água para consumo humano em Portugal continua a melhorar de forma consistente, com os resultados a revelarem uma percentagem de água controlada e de boa qualidade na torneira do consumidor de 98%. Água segura, portanto, garantida por programas de controlo operacional e legal da qualidade da água produzida e distribuída, cujas análises são realizadas por laboratórios acreditados em metodologias e técnicas aplicadas para as determinações dos principais parâmetros.

Nas 700.000 análises realizadas em 2009, apenas em cerca de 2% dos casos se verificaram incumprimentos dos valores paramétricos legalmente exigíveis, atestando o grau de cumprimento da legislação em vigor e desmentindo as afirmações do referido “estudo”.

O referido “estudo” contribui para transmitir uma ideia geral errada do estado da qualidade da água para consumo humano no nosso País, criando dúvidas e abalando a confiança que os consumidores depositam neste serviço público essencial e não respeita o trabalho desenvolvido nas Entidades Gestoras de abastecimento de água por milhares de profissionais que, aos vários níveis, diariamente garantem a qualidade da água que chega às torneiras dos consumidores.

A APDA questiona a credibilidade técnica e a significância estatística do “estudo” SIC/Expresso/Quercus, apontando-lhe as debilidades de se basear na análise de um único parâmetro (o cloro residual – para o qual apenas existem valores limite recomendados), o reduzido número de medições, o carácter pontual e temporalmente localizado das análises efectuadas, a concentração destas em locais potencialmente mais problemáticos, e a própria fiabilidade dos equipamentos portáteis utilizados para efectuar as medições.

Não deixando de admitir a existência, ainda, de problemas pontuais no que concerne à qualidade da água, sobretudo em Entidades Gestoras onde se registam maiores carências a nível humano, técnico e financeiro, a APDA pretende reforçar que a água para consumo humano disponibilizada nas torneiras dos consumidores em Portugal, é de boa qualidade e deve merecer a sua confiança.



O Conselho Directivo da APDA

08 de Outubro de 2010




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