ADP E APDA PROMOVERAM SESSÃO SOBRE PLANOS DE SEGURANÇA DA ÁGUA

13/04/2011
O grupo Águas de Portugal (AdP) e a APDA levaram a cabo, no passado dia 13 de Abril, uma Sessão Temática intitulada “Planos de Segurança da Água em Portugal: Onde Estamos, Para Onde Vamos”, durante a qual foi feito o ponto de situação quanto ao “estado-da-arte” da implementação de Planos de Segurança da Água em empresas do grupo AdP. Na ocasião foi igualmente lançado o Manual para o Desenvolvimento dos Planos de Segurança da Água, desenvolvido pela Direcção de Engenharia da AdP Serviços.
 
A sessão de abertura contou com intervenções do Presidente do grupo AdP, Pedro Serra, e do Presidente do Conselho Directivo da APDA, Rui Godinho. Este último responsável salientou a importância do Manual apresentado como ferramenta de gestão de riscos, muito útil na busca da excelência por parte das entidades gestoras, no sentido de aumentar a confiança dos consumidores no serviço que lhes é prestado e na água que consomem. Deu exemplos internacionais de boas práticas nesta área, nomeadamente os casos de Singapura, Austrália e Nova Zelândia. Aproveitou ainda para reforçar o papel da APDA neste contexto.
 
O primeiro painel iniciou-se com um conjunto de apresentações sobre os pioneiros dos Planos de Segurança da Água em Portugal. Tentúgal Valente, da ex-Águas do Cávado, SA, (actualmente Águas do Noroeste, SA) fez um historial de implementação dos PSA, a nível internacional e nacional, e apresentou as fragilidades das metodologias reactivas, muitas vezes lentas, complexas e dispendiosas. Referiu ainda o problema que se prende com as poucas amostras colhidas e sua consequente falta de representatividade para aferir a qualidade da água fornecida aos consumidores. Aquele responsável salientou ainda a importância dos PSA como instrumentos de sustentabilidade, de melhoria contínua e como uma “forma de organização”, com importância social e ambiental. Rui Sancho apresentou o caso da Águas do Algarve, SA, e Inês Freitas o da Águas do Douro e Paiva, SA, empresa recentemente a braços com um caso real de emergência. Carlos Póvoa apresentou o modelo de I&D prosseguido no grupo AdP nestas matérias. Do debate que se seguiu, concluiu-se da subjectividade da estimativa do risco (probabilidade de ocorrência e severidade das consequências), da, por vezes, pouca sensibilidade das autoridades de Saúde e de que “é mais fácil implementar um PSA numa entidade em Alta do que em entidades em Baixa”.
 
No segundo painel, começou por abordar-se a questão da implementação transversal das boas práticas no grupo AdP. Seguiu-se uma apresentação de José Vieira, da Universidade do Minho e perito da International Water Association para estas temáticas, que apresentou uma abordagem conceptual para um Quadro nacional de implementação de PSA, salientando aspectos institucionais (forças motrizes), mecanismos de suporte (investigação e formação) e implementação prática. Luís Simas, da ERSAR, reforçou a importância dos PSA como instrumento de gestão do risco que abrange problemáticas a diversas escalas. Na sua intervenção, abordou questões relacionadas com a regulamentação dos PSA, a participação nas redes de peritos, as metodologias, a capacitação técnica, a cooperação institucional e as principais dificuldades sentidas. Referiu ainda que o projecto-piloto da ERSAR (com 20 entidades gestoras envolvidas) não está a avançar à velocidade pretendida.
 
Na sua intervenção final, Rui Godinho instou os presentes a apresentar comunicações sobre a temática dos PSA no ENEG 2011 (22 a 24 de Novembro, em Santarém). No debate, foi ainda lançado o repto para a constituição de um grupo nacional de peritos sobre os PSA.