APDA CONTRIBUIU PARA A DISCUSSÃO SOBRE O DESTINO DOS ÓLEOS ALIMENTARES E USADOS NO ALGARVE

10/10/2014

A Comissão Especializada de Águas Residuais (CEAR) da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA), em parceria com a Águas do Algarve e o Município de Albufeira, levou a efeito no dia 7 de outubro de 2014, em Albufeira, um Seminário intitulado “Óleos Alimentares Usados nos Setores Doméstico e da Hotelaria & Restauração – Que Soluções?”. Estiveram presentes 164 participantes, o que excedeu largamente as expectativas iniciais.

Os óleos alimentares e usados são hoje a causa de problemas técnicos (nas condutas e nas ETAR), bem como um significativo custo para as entidades gestoras, quando se efetivamente bem geridos podem ser uma fonte de rendimento para os municípios e hotéis e restaurantes.
 
As comunicações da APDA e da Águas do Algarve realçaram os problemas operacionais decorrentes da afluência de elevadas concentrações de óleos e gorduras aos sistemas de condução e tratamento de águas residuais. Por seu lado, as intervenções das Câmaras Municipais de Lagos e Albufeira sublinharam as melhores práticas de gestão da recolha de óleos alimentares e usados, bem como os seus problemas operacionais e oportunidades de melhoria.
 
A participação da ASAE, não só com uma comunicação, mas igualmente participando ativamente no período de debate, esclarecendo a sua atuação e clarificando as dúvidas levantadas, complementou com uma perspetiva significativamente diferente da habitualmente existente nos seminários da APDA.
 
Da parte da tarde procedeu-se à apresentação de soluções técnicas para retenção de óleos alimentares e usados nos locais de produção (restaurantes e hotéis), bem como foi feita a partilha de experiência de uma das principais unidades hoteleiras da região algarvia.
 
Foram igualmente partilhadas as experiências de recolha de óleos alimentares e usados da principal empresa privada a operar no algarve, bem como uma curiosa experiência com vermicompostagem para este tipo de resíduos;
 
Seguiu-se um período de debate muito participativo e aceso, com os diversos intervenientes a colocarem diversas questões, promovendo uma efetiva troca de pontos de vista, nomeadamente quanto aos problemas operacionais relacionados com óleos e gorduras na região do Algarve.
 
Recomendações:
 
1. Do ponto de vista económico e de defesa do ambiente, a principal prioridade deverá passar pela separação dos óleos alimentares e usados na fonte como medida preventiva, sob pena de se ter que atuar a jusante, por meio de medidas corretivas nas redes de saneamento e/ou ETAR, com custos acrescidos para as entidades gestoras;
2. Se bem geridos, os óleos alimentares e usados deixam de ser um encargo para se tornar uma fonte de receita;
3. Face aos dados disponibilizados do Algarve, conclui-se ser necessário um esforço para um maior aumento da recolha dos óleos alimentares e usados, sendo indispensável uma maior cobertura efetiva de toda a região, ainda que tenha que ser analisada a sua viabilidade económica;
4. São necessárias campanhas de sensibilização e esclarecimento regionais e locais, incluindo a população turística, de modo a potenciar uma melhoria dos resultados de recolha de óleos alimentares e usados;
5. Subsiste o problema dos roubos e do vandalismo dos “óleões”, evidenciando a necessidade da introdução de medidas corretivas e operacionais, que promovam a sua resolução;
6. No setor dos hotéis e restaurantes é importante aplicar adequadas práticas de manutenção dos sistemas de retenção de óleos e gorduras, garantido a sua operacionalidade, bem como a promoção de ações de formação dos trabalhadores destas unidades;
7. Face ao sucesso desta iniciativa e às potenciais vantagens operacionais para as entidades gestoras, a CEAR/APDA está disponível para replicá-la noutros locais do País, adaptando-a à respetiva realidade regional, tal como se verificou agora para a zona algarvia.



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