ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS VÃO INTENSIFICAR AZUIS E VERDES DOS OCEANOS

07/02/2019
O efeito das alterações climáticas no fitoplâncton, microrganismos vegetais encontrados especialmente nos mares, vai refletir-se na cor da água nas próximas décadas. Segundo um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as regiões mais azuis, como os subtropicais, vão ficar ainda mais azuis, sinal de menor quantidade de fitoplâncton, enquanto as mais verdes, como as mais próximas dos polos, podem ficar ainda mais verdes, em resultado de um aumento da massa vegetal microscópica.
 
 
Num artigo publicado na revista “Nature Communications”, os investigadores explicam também o modelo global que simula o crescimento e a interação das diferentes espécies de fitoplâncton e como esta mistura de espécies, em vários locais, vai mudar à medida que as temperaturas aumentam.
 
A cor dos mares depende de como a luz do sol interage com o que está na água, sendo que as moléculas aquáticas absorvem quase toda a luz exceto a parte azul do espetro, que é refletida de volta. É por esta razão que as regiões do oceano relativamente áridas aparecem, vistas do espaço, com azuis mais profundos.
 
Já os organismos existentes na água podem absorver e retratar diferentes comprimentos de luz. Ao conter clorofila, pigmento que absorve especialmente a parte azul da luz do sol para produzir carbono para a fotossíntese, o fitoplâncton consome menos luz verde. Quando refletida, esta dá às regiões ricas em algas um tom esverdeado.
 
Embora não seja visível a olho nu, a composição do fitoplâncton já está a ser afetada e, de acordo com as projeções dos especialistas, até 2100, mais de metade dos oceanos mudará. Os satélites deverão detetar essas mudanças de tonalidade, alertando para as transformações em larga escala nos ecossistemas marinhos.



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