DOURO: INFRAESTRUTURAS DE SANEAMENTO VERSUS DESPOVOAMENTO

26/02/2019

As infraestruturas de saneamento básico existentes no Douro, construídas a pensar na melhoria de qualidade de vida dos habitantes, não estão a ser rentabilizadas, ou melhor, estão com falta de uso devido a um dos maiores problemas sentidos nesta região do interior do país: o despovoamento. No concelho de Sabrosa, por exemplo, o esgoto é tão escasso que seca pelo caminho e não chega à ETAR.

“Este é um problema vivido em toda a região”, revela Domingos Carvas, presidente da Câmara de Sabrosa em declarações ao Jornal de Notícias. “Há aldeias e vilas nos 19 concelhos repletas de investimento nas quais temos cada vez menos gente, sendo que algumas delas já nem trabalham. O saneamento já não chega lá. É tão pouco que seca na conduta!".

O também vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro dá o exemplo da aldeia de Paradela de Guiães, onde já só vivem algumas dezenas de pessoas. Para a dotar de saneamento básico, foram realizados investimentos que rondaram os 300 mil euros e hoje "quase não tem uso”, um cenário “que não deixa de ser irónico para as populações de outras paragens que nunca o tiveram”.

Apesar das condições criadas para se viver com qualidade de quem vive na área da CIM-Douro, - água, saneamento, eletricidade, comunicações, gás, etc., as pessoas têm continuado a abandonar o interior.

Ricardo Bento, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, explica, ao mesmo jornal, “que os investimentos públicos de milhões feitos durante as últimas décadas no Douro e em Trás-os-Montes não foram, muitas vezes, numa lógica de criação de emprego. Foram criadas infraestruturas para melhorar a qualidade de vida das pessoas, o que também é muito importante, mas se não gerarem empregos, para os jovens se fixarem, terem estabilidade e formarem família, dificilmente vão evitar que haja perda de habitantes”.

A região perdeu, desde 1981, cerca de 70 mil residentes.