ENTIDADES GESTORAS DOS SERVIÇOS DE ÁGUA APOSTAM NA INOVAÇÃO

26/02/2019

As Entidades Gestoras (EG) dos Serviços de Água, de maior ou menor dimensão, inovam, querem continuar a fazê-lo e querem aprender novas formas para tal. Estas são as principais conclusões de um inquérito elaborado pela Comissão Especializada de Inovação (CEI) da APDA, que se traduz num exercício pioneiro em Portugal, já que foi dirigido especificamente ao universo dos Serviços de Águas. Os resultados, com base em 101 respostas, revelam uma amostra representativa do setor, encontrando-se identificadas todas as regiões do país, modelos de gestão e dimensões. 

O “Inquérito à Inovação 2017”, disponível aqui, revelou que mais de 60% das EG coloca a Inovação, Desenvolvimento e Investigação (IDI) como um dos pilares essenciais às respetivas estratégias de crescimento. Quase metade da amostra afirmou já ter participado em projetos e iniciativas IDI, em colaboração com entidades do Sistema Científico e Tecnológico (SCT), tendo apontado a escassez de recursos financeiros, técnicos e humanos, como o maior obstáculo a mais participações.

Apesar das dificuldades, a quase totalidade das EG afirma estar disponível para participar em projetos IDI, “facto que pode e deve ser potenciado pela CEI e pelas restantes Comissões Especializadas e Grupos de Trabalho da APDA, visando obter uma maior, e mais constante, dinâmica de cooperação entre EG, entidades do SCT e empresas”, sublinha Miguel Carrinho, coordenador da CEI. 

No que diz respeito às áreas com maior interesse para futuros projetos IDI, o destaque vai para a smart metering (telemetria) e para a monitorização em tempo real de fugas e de qualidade da água que, a par da setorização e controlo de caudais e mobilidade de serviços, já são das soluções mais utilizadas pelas EG. 

O inquérito revela também que cerca de 40% das EG utiliza sistemas de Business Intelligence, Analytics ou de Data Analysis, o que indicia uma atenção especial à importância de ter informação e indicadores de gestão disponíveis para uma melhor tomada de decisão. 

Relativamente ao desenvolvimento de alguma ferramenta / solução inovadora, cerca de 30% das EG indicou tê-lo feito, sendo que a esmagadora maioria admite estar disponível para partilhá-las. Para além de demonstrar que existe potencial interno e proatividade por parte das EG, este dado revela que as mesmas têm abertura significativa para colaborar com terceiros. 

Entretanto, apenas um número reduzido de EG, cerca de 20%, afirma utilizar aplicações móveis ou outro tipo de tecnologia na relação com os seus clientes, resultados que, na opinião de Miguel Carrinho “podem e devem ser vistos como uma oportunidade de melhoria, seja por parte das Comissões da APDA, procurando sensibilizar as EG para a importância destas ferramentas, seja pelas empresas que tenham, ou aspirem a ter, soluções neste âmbito”. 

Ao nível da eficiência ambiental, e entre as medidas que a generalidade das EG demonstra já ter implementado, a desmaterialização de processos, a valorização de lamas e a reutilização de águas residuais / pluviais são as com maior expressão. Embora ainda haja um longo caminho a percorrer neste campo, é de ressalvar que praticamente todas as EG têm iniciativas para reduzir a respetiva pegada ecológica. 

Quando questionadas sobre quais os fatores / objetivos inerentes ao desenvolvimento e adoção de soluções inovadoras, a grande maioria das EG respondeu que a melhoria da qualidade do serviço e o aumento da eficiência são as linhas a seguir. 

O “Inquérito à Inovação 2017”, realizado entre 22 de junho e 1 de setembro de 2017, só foi possível devido ao envolvimento de todos os membros da CEI da APDA: Ana Paula Barros (Águas de Gondomar, SA); Cláudia Guerreiro (Aquapor Serviços); Francisco Marques (SMAS de Tomar); Maria Cândida Marreiros (SIMAS de Oeiras e Amadora); Maria Manuela Sobral (Câmara Municipal do Barreiro); Miguel Carrinho (Águas do Ribatejo); Nuno Campilho (SIMAS de Oeiras e Amadora); Nuno Medeiros (EPAL); Patrícia Mestre (SMAS de Almada); Paulo Sá (Indaqua); Vítor Vale Cardoso (EPAL) e Zélia Fernandes (Esposende Ambiente). 

Os resultados deste trabalho coletivo foram apresentados durante o Seminário “Ao Encontro da Inovação”, perante uma plateia de 93 participantes. Entre especialistas do setor da Água e outras personalidades, estiveram presentes no evento, que decorreu na Biblioteca Municipal António Cartaxo da Fonseca, em Tomar, o Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, e a Presidente da Câmara Municipal de Tomar, Anabela Freitas.




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