ONU: ATÉ UM MILHÃO DE ESPÉCIES PODEM ESTAR AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO

30/04/2019
O relatório preliminar da ONU sobre biodiversidade aponta que até um milhão de espécies de animais e vegetais podem ser ameaçadas de extinção, muitas delas nas próximas décadas. A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos (IPBES) está reunida em Paris até sábado, 4 de maio, para fazer a primeira avaliação global dos ecossistemas em quase 15 anos.
 
 
Água potável, florestas que absorvem CO2, insetos polinizadores necessários para as culturas e peixes - o estado da biodiversidade deve ser tão preocupante quanto as alterações climáticas, revela o documento.
 
Com 1800 páginas, no qual 150 especialistas de 50 países trabalham há três anos, o relatório vai ser acompanhado por um resumo, discutido linha por linha e adotado pelos 130 países membros do IPBES, seguindo o modelo dos relatórios do IPCC - Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas.
 
Com base parcial na análise de espécies bem estudadas, principalmente de vertebrados, o documento destaca também as “incertezas” em relação a outras espécies muito menos conhecidas, especialmente de insetos.
 
Dos oito milhões de espécies estimadas (incluindo 5,5 milhões de espécies de insetos) no planeta, “entre meio milhão e um milhão devem estar em risco de extinção, muitas delas nas próximas décadas (…) mesmo que os fatores [desta extinção] não se tenham intensificado”, explicita o texto. 
 
Estas projeções correspondem às advertências de muitos cientistas que acreditam que a Terra está no início da “sexta extinção em massa”, a primeira atribuída aos humanos, que já fizeram desaparecer pelo menos 680 espécies de vertebrados em 500 anos.
 
“As contribuições que as pessoas tiram da natureza são fundamentais para a existência e riqueza da vida humana na Terra, sendo que a maioria delas não são totalmente substituíveis”, ressalva o documento, advertindo para o impacto direto que o desaparecimento dessa biodiversidade tem nos seres humanos.
 
As ligações entre essa perda de biodiversidade e as alterações climáticas, às vezes incentivadas pelos mesmos fatores, especialmente o modelo agrícola extensivo num mundo cada vez mais populoso, são igualmente apontadas pelo relatório que, entretanto, estimou que três quartos da superfície terrestre, 40% do ambiente marinho e metade dos cursos de água foram já “severamente alterados”.
 



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