COMO LEONARDO DA VINCI VIA A ÁGUA

02/05/2019

O dia de hoje, 2 de maio de 2019, marca o 500.º aniversário da morte de Leonardo Da Vinci (1452-1519). Mestre do Renascimento, pintor, arquiteto, inventor, engenheiro e um explorador de todas as disciplinas, escreveu o Códice Leicester, um caderno com observações científicas sobre a água e o seu movimento.

Quando escreveu o manuscrito de 72 páginas (1504 e 1508), em Florença e Milão, Leonardo teria 55 anos e passava grande parte do seu tempo a observar o Arno, o rio que atravessa Florença. Tal como outros escritos do renascentista, o Códice está redigido da direita para a esquerda e de maneira a que só seja possível lê-lo usando um espelho. Contempla diagramas e fala das inundações descritas na Bíblia, dos fósseis como provas de vida pré-histórica ou em instruções para criar diques e barragens em rios, integrando várias experiências para entender a natureza da água, usá-la como fonte de energia e a procura de soluções no sentido de a controlar quando se assume destrutiva. Contém também notas para si mesmo que antecipam a invenção de importantes instrumentos científicos: “Fazer lentes para ver a lua maior”, escreve, isto um século antes da criação do telescópio.

Apesar de ser mais célebre pela pintura, como são exemplo os famosos quadros Mona Lisa e A Última Ceia, Leonardo Da Vinci tinha a perfeita ligação da arte com a ciência e a natureza, sendo capaz de abordar projetos audaciosos e interpretar fenómenos significativos, tanto no microcosmos quanto no macrocosmos.

O Governo italiano tem um programa de iniciativas que se prolongam por todo o ano de 2019, incluindo a entrada em circulação de selos postais com obras de Da Vinci e a aplicação "Leonardo500". Todavia, as celebrações começaram já em 2018. O Códice Leicester esteve entre novembro de 2018 e janeiro de 2019 patente na Galeria florentina Uffizi, integrado na exposição “A Água Como Microscópio da Natureza”.

Bill Gates comprou-o em 1994 por 27,1 milhões de euros, soma que, durante décadas, o tornou no livro e manuscrito mais caro de sempre. Mostrado pela primeira vez em 36 anos em Florença, onde o pintor e cientista italiano redigiu estas importantes reflexões sobre a água, o Códice ganhou o respetivo nome, porque, durante mais de 250 anos, foi propriedade dos condes de Leicester - Thomas Coke comprou-o em 1719 e receberia depois o título nobiliárquico (1.º Conde de Leicester). 

O 500.º aniversário da morte do génio Leonardo Da Vinci está a ser assinalado por vários dos mais importantes museus do mundo.




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