NANOMATERIAIS FEITOS DE ALGAS PARA DESPOLUIR ÁGUA

16/09/2019

Os nanomateriais preparados a partir de biopolímeros extraídos de fontes naturais, como é o caso das algas abundantes no litoral de Portugal, podem ter um papel significativo na remoção de poluentes da água difíceis de eliminar nas estações de tratamento, como antibióticos e outros fármacos, herbicidas e ainda corantes orgânicos. Este é o resultado de uma investigação levada a cabo pela Universidade de Aveiro (UA).

De acordo com uma nota de imprensa da UA, “o segredo destes adsorventes está no seu pequeníssimo tamanho, inferior a 100 nanómetros, que possibilita uma elevada área de contacto com a água, combinado com os polissacarídeos presentes na sua composição e que são provenientes das algas”.

O grupo de cientistas desenvolveu e patenteou nano-adsorventes magnéticos que, além dos polissacarídeos, são constituídos ainda por um miolo de óxido de ferro (magnetite) que lhes confere características magnéticas e por sílica, com o papel de ligar entre si os ingredientes e de tornar os materiais insolúveis na água.

A ciprofloxacina, antibiótico utilizado no tratamento de várias infeções, é um dos poluentes estudado, uma vez que permanece nas águas residuais devido à inadequada eliminação de medicamentos não usados ou à metabolização incompleta deste medicamento em humanos.

Durante a investigação, os nano-adsorventes sintetizados apresentaram uma eficácia de remoção entre 30 a 90 por cento desse antibiótico, sendo possível remover até 1350 miligramas de ciprofloxacina usando um grama de adsorvente.

Para além disso, os adsorventes podem ser regenerados e reutilizados, uma vantagem económica acrescida. Nesta sequência, e de acordo com a UA, “algumas empresas já mostraram interesse e estão a testar estes materiais na remoção de diferentes contaminantes”.