DESASTRES NATURAIS MAIS AGRESSIVOS E FREQUENTES DEVIDO A “CALOR EXTRA” ABSORVIDO PELOS OCEANOS

12/03/2020

De acordo com a Declaração Anual sobre o Estado do Clima 2019 da Organização Meteorológica Mundial (OMM), os oceanos são um elemento central das alterações climáticas ao absorverem mais de 90% do “calor extra” produzido pela atividade humana. Este comportamento gera maior frequência de fenómenos meteorológicos extremos como ciclones, tempestades tropicais, inundações, deslizamento de terras, temperaturas extremas, secas e fogos florestais.

São exemplos o ciclone Idai, que afetou Moçambique, Zimbabwe e Malawi, o furacão Dorian, que atingiu as Bahamas e os Estados Unidos, bem como os grandes incêndios da Austrália e da Amazónia.

António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, ilustrou o panorama: os oceanos absorvem calor equivalente a cinco bombas atómicas de Hiroxima por segundo, sendo que a concentração de gases com efeito de estufa atingiu o nível mais alto dos últimos três milhões de anos.

Ainda segundo a Declaração do Estado do Clima produzida pela OMM, 91% da população mundial respira ar com mais poluentes que os considerados aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde.

É neste sentido que Guterres defende que “2020 é um ano crucial na resposta à emergência climática”, tendo a agenda da 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), marcada para novembro em Glasgow, Reino Unido, definidas quatro prioridades:

  • Revisão das contribuições nacionais determinadas e planos climáticos;
  • Adoção de estratégias por parte de todos os países para chegar à neutralidade carbónica até 2050;
  • Um “robusto pacote de programas, projetos e iniciativas” para construir resiliência contra os efeitos das alterações climáticas;
  • Mobilização de 100 mil milhões de dólares pelos países desenvolvidos para investimentos em tecnologias ecológicas.