JOPA: A CONTRIBUIÇÃO DOS JOVENS PARA O SETOR

03/06/2020

Vivemos um estado de exceção e todos sabemos que o mundo não vai mudar na sua essência, mas vai dar mais um passo positivo em alguns aspetos, como na consciencialização sobre a sustentabilidade do planeta e a existência de problemas que exigem cooperação global. A crise pode ser transformada numa oportunidade única para reformas políticas, económicas e sociais, sendo que o setor da água não deve perder tempo.

Com a pandemia de COVID-19 cresceu a evidência de que a água e a higiene sanitária são essenciais para a saúde, para a vida e para a economia. Se estas condições não forem acessíveis a toda a humanidade, vão surgir, inevitavelmente, mais epidemias e vírus. Nunca é demais lembrar que na Europa e em Portugal ainda há quem não tenha acesso a serviços de água e saneamento. Um assunto da máxima importância e que urge resolver.

Com o intuito de incrementar a capacitação profissional dos jovens técnicos do setor da água, e de todos aqueles que desejassem vir a sê-lo, nasceu, em 2013, o Núcleo de Jovens Profissionais do Setor da Água (JOPA) da APDA.

Hoje com 22 elementos, pertencentes a Entidades Gestoras (EG) e distribuídos um pouco por todo o país, o JOPA aprimorou competências e delineou objetivos de atividade. A diversidade de formações académicas, de experiências vividas, de realidades e contextos profissionais, confere aos elementos do núcleo uma capacidade muito interessante de olhar para o setor da água.

Esta nova geração de profissionais, a quem já chamaram de “geração à rasca”, de “geração Europa”, de “Millenials”, entre outras designações, enfrenta novamente uma crise económica, depois de ter ultrapassado a recessão iniciada em 2008 e que tantos constrangimentos originou, começando pelas dificuldades de entrar no mercado de trabalho ou pela precaridade do mesmo. Como resultado, as EG ficaram com quadros envelhecidos, implicando a não transmissão de conhecimentos entre gerações em contexto de trabalho, bem como o impulso da ida de muitos talentos para outros setores de atividade.

O positivismo, a resiliência, a criatividade e a capacidade de apresentar soluções são características muito vincadas desta geração de profissionais, sendo que o setor da água deve aproveitar esta nova crise para olhar sobre si próprio e não voltar a cometer os erros do passado.

O JOPA está consciente que grandes desafios se aproximam. Há que estar preparados para outras pandemias e desastres naturais, como fogos, tempestades e terramotos. As alterações climáticas são uma realidade à vista de todos. A escassez de água e a poluição vão continuar a aumentar se não se fizer nada para inverter a tendência. É preciso fazer diferente, mudar hábitos, rotinas e formas de negócio.

É certo que existe pela frente muito trabalho de recuperação no imediato, mas o futuro pede ação pragmática dos atuais governantes, das EG, dos utilizadores, no quadro das escolhas próprias do modelo europeu de uma economia de mercado competitiva, sustentável e socialmente inclusiva (Green Deal - Pacto Ecológico Europeu).

De acordo com especialistas1, se Portugal não mudar comportamentos e reduzir o consumo de água pode sofrer um stress hídrico severo até 2040. Enquanto, para alguns, a escassez de água já existe, Portugal ainda tem a oportunidade de prevenir os piores efeitos, se tomar medidas hoje, de forma a garantir um amanhã melhor.

Neste sentido, o setor da água nacional pode orgulhar-se de ter jovens profissionais disponíveis para ajudar o País a interiorizar a necessidade de reformas adequadas, visando reduzir o desperdício de água e garantir uma utilização mais sustentável do recurso a todos os níveis. O JOPA quer, assim, destacar a pretensão de continuar a contribuir e fazer a diferença no futuro da gestão da distribuição e drenagem de águas em Portugal.

 

GASSERT, Francis; REIG, Paul; LUO, Tianyi and MADDOCKS, Andrew (2013); A weighted Aggregation of Spatially Distinct Hydrological Indicators; World Resources Institute (WRI)