SESSÃO GRAVADA DE “CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS DOS CONTADORES DE ÁGUA POTÁVEL FRIA” JÁ DISPONÍVEL

02/10/2020

As diferenças entre os tipos de tecnologia de medição de água mais utilizados nos contadores mecânicos de água potável fria, em particular nos contadores volumétricos e de velocidade marcaram o webinar da APDA realizado pela CT 116 - Comissão Técnica de Normalização “Medição de Escoamento de Água em Condutas Fechadas”. Para assistir à sessão gravada clique na imagem abaixo.

Sendo certo que o contador é a máquina registadora de qualquer Entidade Gestora (EG) e que quanto melhor medir, mais eficiente é, o webinar visou contribuir para o aumento da capacidade crítica de quem decide na hora de selecionar o contador mais adequado para um determinado ponto de consumo.

Uma boa gestão do parque de contadores é imprescindível para que a EG meça e fature corretamente o volume de água consumido pelos seus clientes. Nesse sentido, cada EG deve ter consciência que a escolha do contador é fundamental, sendo que esta deve depender do tipo de utilização, das condições do local de instalação e das características construtivas e metrológicas do contador.

José Colarejo, especialista de contadores de água e Gerente da EngiColarejo, empresa de consultoria na área de engenharia mecânica foi o primeiro orador da sessão, que contou com a moderação de Susana Valente, Chefe de Divisão Administrativa e Financeira dos Serviços Municipalizados de Castelo Branco, e de Sara Carriço, Gestora de Projeto na Aquapor Serviços.

Após uma breve introdução sobre a problemática da medição da água, José Colarejo, que também presidiu a CT 116 durante vários anos, ocupando atualmente o cargo de Secretário, debruçou-se sobre os contadores de água mecânicos de tecnologia volumétrica.

Começou então pelos princípios de medição, explicando que a maneira de medir água só se consegue através de dois modos: a medição direta do volume da água passada ou a medição indireta à conta da velocidade da água. Os referidos princípios são válidos tanto em “canal aberto” como em “condutas fechadas cheias”. Seguidamente avançou então para uma descrição pormenorizada dos principais elementos de um contador volumétrico, ilustrando até a água que entra, a água que sai e a água em transporte. A apresentação foi concluída com exemplos de modelos de contadores volumétricos mais comuns e outros de calibre mais elevado.

Coube a Hilário Ribeiro, Business Unit Manager da Itron Portugal, explorar as características construtivas de contadores de velocidade, onde se enquadram os de turbina monojato, turbina multijato e de hélice, de tecnologia Woltmann.

De acordo com o também atual Presidente da CT 116, os contadores monojato e multijato têm os mesmos princípios de medição, ou seja, assentam na conversão da velocidade a que a água passa no contador em volume, sendo que as turbinas de ambos são de molinete (pás planas) e o fluxo de água ocorre de forma perpendicular ao eixo da turbina. Entretanto, as diferenças começam desde logo na tubuladura de entrada, em que os monojato, em particular os de maior calibre, se caracterizam por ter um injetor na tubuladura de entrada, que é normalmente descentrada relativamente ao eixo da câmara velocimétrica. Esta característica permite que a água seja direcionada diretamente para as pás da turbina em ângulos de ataque o mais perpendicular possível, favorecendo, assim, a força que lhe confere o seu movimento de rotação. Os contadores multijato não têm injetor na tubuladura a montante e a tubuladura de entrada na câmara velocimétrica está tipicamente alinhada com o seu eixo. Contrariamente aos monojato, os contadores multijacto à entrada da câmara velocimétrica têm um anel com pequenos orifícios que direcionam a água para a turbina em diversos ângulos de ataque. Para ambos os contadores foram referenciados exemplos.

Já os contadores tipo Woltmann caracterizam-se por terem uma turbina de pás helicoidais (em hélice), sendo o escoamento de água no sentido do eixo da turbina. Estes contadores existem em versão vertical e horizontal, esta última mais comum e utilizada em Portugal. Apesar de serem tipicamente utilizados para medir água nas redes de distribuição, uma das características que torna a sua utilização preferível é que na eventualidade da turbina/elemento de medida se danificar, o mecanismo pode ser substituído por um novo devidamente calibrado. Este fator é possível, porque a metrologia destes contadores não depende do seu corpo, ao contrário do que acontece com os monojato, multijato e os volumétricos. Mais uma vez foram revelados exemplos dos equipamentos em questão.

Hilário Ribeiro contextualiza também a existência dos contadores conjugados, que surgiram da necessidade de obter leituras de clientes que utilizam uma gama de caudais bastante alargada, isto é, que em determinados períodos têm consumos prolongados a caudais muito baixos e noutros, consumos a caudais muito elevados, como por exemplo um estádio de futebol.

Os contadores conjugados são constituídos normalmente por dois contadores. Um contador grande (de tecnologia Woltmann) e um contador pequeno (multijacto, monojato ou volumétrico) e uma válvula de comutação que regula a passagem do fluxo de água pelos dois contadores, consoante o caudal. Nestes casos, a leitura do consumo é feita através do somatório do totalizador de cada um dos contadores, refletindo o valor da fatura a soma dos dois.

O conteúdo técnico debitado por ambos os especialistas presentes conduziu, posteriormente, a uma sessão de esclarecimento, que, perante o volume de participações, foi significativamente alargada. Aliás, a promessa de mais webinars relacionados com a medição de água ficou assente, tendo até algumas questões respondidas sido já encaminhadas para essa realidade futura.

A sessão terminou com a intervenção de Rui Godinho, Presidente da APDA, que enalteceu a importância deste tipo de sessões e de disseminação de conhecimento, bem como o número de participantes registado, que refletiu presenças além-fronteiras.