REVISTA APDA #18: “A COVID-19 E OS SERVIÇOS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA”

13/11/2020

Paulo Nico, Coordenador da Comissão Especializada de Qualidade da Água (CEQA) da APDA, é o autor do segundo artigo da secção de Atualidade da Revista APDA #18, onde explora os serviços de água em contexto de pandemia de COVID-19, esclarecendo questões sobre a segurança da água, impacto no setor e a performance positiva deste perante a corrente situação atípica.

Após um enquadramento da pandemia em Portugal e da priorização imediata de garantir serviços essenciais comos os da água, Paulo Nico explicou a eficiência dos procedimentos normais da Entidades Gestoras na remoção de vírus na água, todavia, e indo de encontro às orientações da Organização Mundial de Saúde, a Entidade Reguladora de Águas e Resíduos (ERSAR) recomendou a subida da concentração de desinfetante residual nas redes para valores próximos do limite máximo previsto na legislação nacional. Frisou também que “Em Portugal o indicador de água segura situa-se na ordem dos 99%” e que de acordo com os dados disponíveis, constantemente em monitorização, “não há razões conhecidas para se terem alterado estes padrões durante a pandemia”.

No que diz respeito à captação, tratamento, transporte, armazenamento, controlo da qualidade e distribuição da água, o coordenador da CEQA revela que apesar dos constrangimentos sentidos na Entidades Gestoras (em alta e em baixa), como a imposição do teletrabalho, formação de equipas em espelho e consequente redução do número de trabalhadores, todos estes serviços foram devidamente acautelados para não faltar água na torneira dos portugueses.

Paulo Nico defende que a resiliência dos serviços de água em Portugal deve também ser reconhecida, porque há trabalhos que foram adiados, outros eliminados da agenda, bem como efeitos colaterais, humanos e económicos, difíceis de gerir, para toda a esfera funcionar em prol da qualidade do serviço prestado aos consumidores de água.

O especialista ressalva também que os desafios são e serão muitos, porque algumas das repercussões de toda esta adaptação das Entidades Gestoras só vão poder ser avaliadas com o passar do tempo, mas, a verdade é que a resposta reativa superou-se a si mesma, sendo que medidas já tidas em consideração, bem como planos de emergência e contingência existentes para outras situações, revelaram-se de grande utilidade para a capacidade de resposta dos serviços.

Além disso, “o momento poderá ser aproveitado para implementar reformas estruturais, compensando o provável retrocesso imposto pela contração económica com alguns ganhos de eficiência, deixando as Entidades Gestoras de Serviços de Águas mais bem preparadas para o futuro”.

Leia o artigo na íntegra aqui (a partir da página 40).