VERSÃO ATUALIZADA DO SIIPA JÁ DISPONÍVEL

23/02/2021

Já saiu a nova versão atualizada do SIIPA - Sistema de Informação de Indicadores de Perdas de Água

  • A água realmente perdida por roturas e desperdícios nas redes atinge os 20,4% nas redes em baixa e 3,2% nas redes em alta.
  • A água “oferecida”, legalmente consumida e que não é faturada pelas entidades gestoras em baixa, atinge os 62 milhões de metros cúbicos por ano e a água perdida por perdas reais os 168 milhões de metros cúbicos.

A Comissão Especializada de Sistemas de Distribuição de Água (CESDA) da APDA colocou à disposição de todos os interessados a versão 2 do seu SIIPA - Sistema de Informação de Indicadores de Perdas de Água, com ligação na imagem abaixo.

Esta versão complementa a primeira que só permitia a consulta dos indicadores de perdas em baixa. A versão agora disponível já inclui os dados mais recentes disponibilizados no RASARP 2020 e permite também a consulta para os sistemas em alta, entre 2011 e 2019.

A disponibilização deste sistema de informação insere-se no objetivo da CESDA em desenvolver e partilhar as melhores práticas de controlo de perdas num setor essencial para o bem-estar e qualidade de vida dos portugueses. A CESDA tem também assumido a missão de valorizar e divulgar algumas das mais bem-sucedidas experiências nacionais de controlo de perdas de água.

A utilização do SIIPA permite fazer um tratamento geográfico e mais pormenorizado dos indicadores de perdas disponibilizados pela ERSAR e evitar o foco único no indicador de água não faturada em baixa de 28,8% em 2019.

Com o SIIPA é possível concluir que as perdas reais - aquela água que é efetivamente perdida por roturas nas redes - tanto nos sistemas em baixa como em alta, reduziram para 20,4% nos sistemas em baixa e para apenas 3,2% nos sistemas em alta.

Utilizando as ferramentas do SIIPA constata-se que nas áreas predominantemente urbanas (40% do país) as perdas reais já se ficam pelos 12,6%. Nas áreas medianamente urbanas (35% do país) estão próximas da média global, com 20,7% e apenas nas restantes áreas, predominantemente rurais, as perdas reais ainda atingem os 33,7% da água entrada nos sistemas.

Na prática, temos um conjunto de entidades predominantemente rurais que ainda têm margem para evoluir e um conjunto de entidades mais urbanas que já atingiram níveis de classe mundial. Como se constata no relatório da ERSAR sobre o PENSAAR 2020, 70% dos alojamentos já são abrangidos por entidades gestoras com avaliação satisfatória no indicador de perdas reais.

Mas mesmo no conjunto das entidades classificadas como predominantemente rurais há algumas que conseguem sobressair. Por exemplo, a EMAS de Beja através de medidas consistentes conseguiu reduzir para metade o seu indicador de perdas reais, passando de 97 para 48 L/(ramal.dia) em dois anos. Utilizando as ferramentas do SIIPA consegue-se determinar que no mesmo período de dois anos, os 8 municípios à volta de Beja também reduziram a média deste indicador, mas em menor escala e percentagem, passando de 157 para 150 L/(ramal.dia). Esta comparação, que com o SIIPA pode ser feita para qualquer zona do país, revela as potencialidades de uma mais forte colaboração e partilha regional de metodologias de trabalho e organização.

Continuando na análise das perdas reais em baixa - aquela água que é efetivamente assumida como um desperdício - constatamos que em 2019 houve 117 sistemas que melhoraram o seu desempenho face a 2018 e que, em conjunto, estes sistemas conseguiram reduzir as suas perdas reais em cerca de 13 milhões de m3. Pode ainda não ser suficiente, mas estes 13 milhões de m3 de água recuperada são superiores ao que é distribuído em Coimbra durante um ano inteiro e equivalem ao consumo médio anual de 110.000 famílias.

Para apresentar a nova versão do SIIPA e ajudar as entidades gestoras com pior desempenho a encontrarem o seu caminho de sucesso para a redução das perdas de água, a APDA irá promover um webinar, no próximo dia 12 de março, alusivo ao tema “SIIPA 2.0 - O caminho das Perdas de Água em Portugal”.

Neste encontro, aberto à participação de todos os interessados, será divulgado também o trabalho de algumas entidades gestoras que já encontraram o seu caminho de sucesso, nomeadamente as experiências e metodologias em uso na INDAQUA, SMAS de Sintra, EMAS de Beja, Águas do Norte e SMAS de Mafra.