WEBINAR “CONDIÇÕES DA INSTALAÇÃO E PRECAUÇÕES A TOMAR NA INSTALAÇÃO DE CONTADORES DE ÁGUA POTÁVEL” EM SESSÃO GRAVADA DISPONÍVEL

21/05/2021

Os fenómenos hidráulicos que podem influenciar a medição, a caracterização dos tipos de contadores relativamente à respetiva perturbabilidade, bem como as tipologias das instalações que mais se adequam a cada tipo de contador, foram os temas desenvolvidos no webinar “Condições da instalação e precauções a tomar na instalação de contadores de água potável”. Organizado pela APDA e pela CT 116 - Comissão Técnica de Normalização “Medição de Escoamento de Água em Condutas Fechadas”, o evento pretendeu contribuir para o esclarecimento de quem decide, na hora de selecionar o contador mais adequado para um determinado ponto de consumo. Para assistir à sessão gravada clique na imagem abaixo.

À exceção de Rui Godinho, Presidente da APDA, o painel interveniente foi integralmente composto por elementos da CT 116, incluindo o coordenador, Hilário Ribeiro, Business Unit Manager na Itron. Para além de fazer uma breve apresentação da Comissão, Hilário Ribeiro aproveitou a oportunidade para apelar às Entidades Gestoras para procederem ao envio das respostas ao inquérito que lhes foi dirigido sobre a caracterização do parque nacional de contadores, no âmbito do desenvolvimento deste tema pela Comissão.

Joaquim Silva e Jorge Marques, ambos dos SMAS de Almada, da Divisão de Projetos e Cadastro e da Divisão de Metrologia e Instalação de Contadores, respetivamente, foram os oradores da sessão, moderada por Teresa Castro, Responsável pela Qualidade e Técnica do Laboratório de Contadores de Água e Parcómetros da Resopre.

Uma das ideias principais transmitidas foi que uma boa gestão do parque de contadores é imprescindível para que a Entidade Gestora meça e fature corretamente a água consumida pelos clientes, sendo também essencial para a controlar e, consequentemente, poupar.

Joaquim Silva debruçou-se sobre os fenómenos que ocorrem no escoamento e que podem influenciar a medição. Para tal, começou por elencar os contadores mais comuns: os Volumétricos, ou seja, os que funcionam por medição de volumes, em que é pouco significativa a forma como a água chega; e os de velocidade - Monojato, Multijato e Woltman -, onde a forma como o escoamento passa no mecanismo faz a diferença, já que se passar com mais ou menos perturbações pode influenciar o movimento das peças dentro do contador e afetar a medição. Foi referido o Guia elaborado pela CT116 em 2013, com normas traduzidas de instalação de contadores. Joaquim Silva apontou então os aspetos de instalação que podem influenciar a medição, bem como algumas soluções:

  • Traçado e geometria das instalações, ou seja, a forma como é construída a instalação para o contador pode alterar o valor correto da medição. No caso de o contador estar junto a uma variação brusca de secção, o que pode influenciá-lo, pode utilizar-se, por exemplo, uma transição suave através de cones de alargamento; na existência de obstáculos a montante e/ou jusante do contador, como válvulas parcialmente abertas, que podem provocar turbilhões ou alterações aos perfis de escoamento, a solução passa por manter as válvulas de seccionamento completamente abertas ou completamente fechadas, conforme o funcionamento pretendido; no caso da conjugação de curvas em planos diferentes (por exemplo, na montagem de um contador pequeno, onde se põe um joelho e contra-joelho para procurar um alinhamento mais favorável), a medição acaba por ser afetada; a situação pode ser solucionada com estabilizadores de escoamento e/ou troços retos ou ambas as alternativas.

  • Presença de ar nas condutas - o ar pode ter origem na emulsão ou arrasto, ar retido ou refluxo, gerando erros de indicação (porque mede ar) ou desgaste mecânico do contador, o que pode ser contornado através da modificação da rede de distribuição ou com a instalação de ventosas na rede, na imediação a montante do contador.

  • Choque hidráulico (golpe de aríete) - pode ser provocado por uma manobra rápida de válvulas ou outros órgãos de rede que impliquem a interrupção ou reposição brusca de escoamento, sendo a solução eliminar as condições que causam os picos de pressão elevada ou instalar dispositivos de proteção.

  • Características da água - devido a anomalias na rede, a água pode transportar alguns materiais como areias e lamas, entre outros; o pH, a condutividade e os sais minerais que apresenta também podem representar um obstáculo. Entretanto, aqui a questão não se resolve apenas através dos contadores, porque é um problema de todo o sistema.

  • Perturbabilidade - recorrendo ao referido documento que a CT 116 realizou em 2013, foram referidos os diferentes graus de perturbabilidade que os contadores podem apresentar: 1) Pouco sensível: praticamente imperturbável; 2) Algo sensível: relativamente perturbável; e 3) Muito sensível: muito perturbável. Todas as categorias devem ser avaliadas nos diferentes tipos de contadores existentes.

Seguidamente, Jorge Marques apresentou casos concretos de instalações, dando exemplos de como se pode limitar ou minimizar as perturbações que ocorrem no escoamento e que podem influir na medição em três tipos de instalação:

  • Contadores Volumétricos (DN ≤ 25) - são de instalação simples e têm pouca sensibilidade aos fenómenos do escoamento, mas é aconselhável terem duas válvulas, a montante e a jusante, e, se possível, um suporte, porque para além de servir de bitola, garante que há espaço para a montagem correta do contador, bem como um alinhamento da instalação. De destacar também a importância de colocar o casquilho telescópico a jusante do contador, evitando, desta forma, perdas de água ou inundações. Quanto aos contadores em bateria, foi realçada a importância de estes estarem identificados para uma correta manutenção e sem constrangimentos para os clientes.

  • Contadores de Velocidade (DN = 32; 40) - Monojato, Multijato e Woltman - sendo contadores sensíveis ao perfil de escoamento, devem ser acompanhados de troços retos (10 diâmetro). A posição do contador também tem influência. Por isso, caso estes não sejam instalados na posição horizontal, perdem capacidade de medição. Nas instalações flangeadas (maiores) é possível ter um equilíbrio de materiais, mas, nas roscadas, os acessórios são normalmente em bronze ou latão e as tubagens são galvanizadas ou em plástico, sendo difícil essa compatibilização. Quando era corrente o uso de tubagens de ferro galvanizado, os contadores apresentavam elevada durabilidade, uma vez que as correntes elétricas parasitas que percorrem as condutas de água atacavam, por ação galvânica, sobretudo o zinco das tubagens. Atualmente, com o uso de tubagens plásticas, é mais intenso o processo de corrosão galvânica dos acessórios e contadores, dando-se a “deszincificação” do latão desses elementos.

  • Contadores de velocidade (DN ≥ 50) - mecânicos e estáticos - considerados grandes contadores, exigem cuidados redobrados de forma a medirem nas melhores condições. Deve ser garantida a capacidade de modelar a instalação para adequar o contador às condições do cliente, sendo, por isso, fulcral salvaguardar espaço para ter margem de manobra. Nos contadores estáticos - caudalímetros - de tecnologia eletromagnética, a única preocupação extra é a equipotencialidade, ou seja, assegurar que correntes parasitas que possam circular nas condutas não interfiram com as correntes geradas no interior do contador, havendo aqui duas soluções possíveis: fazer “shunts” à rede nas tubagens metálicas com flanges soldadas e, no caso de condutas de material isolante ou com as flanges isoladas, colocar anéis equipotenciais. Já nos contadores estáticos de tecnologia ultrassónica esta preocupação não se aplica.

Para concluir, Jorge Marques advertiu para outras situações a evitar, como contadores mal colocados e enterrados, bem como sublinhou a importância de aproveitar as oportunidades de algumas intervenções para, sempre que possível, otimizar a instalação para uma dimensão e posição correta.

Ao agradecer a demonstração das capacidades técnicas e organizacionais que estão instaladas nas Entidades Gestoras, Rui Godinho elevou a importância da transmissão e partilha de conhecimento neste tipo de webinars no percurso da gestão sustentável da água em Portugal, particularmente nos serviços de água e saneamento.