DISPONÍVEL SESSÃO GRAVADA DE “REUTILIZAÇÃO DE ÁGUAS RESIDUAIS - OPÇÕES TÉCNICAS PASSÍVEIS DE SEREM UTILIZADAS PELAS ENTIDADES GESTORAS”

02/06/2021

Realizado pela Comissão Especializada de Águas Residuais (CEAR) da APDA e com o apoio do Grupo Contimetra/Sistimetra e do CTGA, o webinar “Reutilização de Águas Residuais - Opções técnicas passíveis de serem utilizadas pelas Entidades Gestoras” traduziu-se num debate de significativo interesse e recetividade. Para assistir à sessão gravada clique na imagem abaixo.

O evento online foi moderado por Pedro Béraud, Coordenador da CEAR e Colaborador na área de Desenvolvimento de Negócio da AdP Internacional, tendo contado com as intervenções de: J. Henrique Salgado Zenha, Vice-Presidente da APDA; Vânia Jesus, Vice-Coordenadora da CEAR e Gestora de Projetos de Soluções Digitais da Xylem Water Solutions Portugal; Anabela Rebelo, Técnica Superior do Departamento de Recursos Hídricos da APA; Sara Antunes, Diretora de Engenharia e Operação da AdP Valor; Cristina Caldas, também membro da CEAR e Diretora Técnico-Comercial da Contimetra/Sistimetra; e Filipe Carraco, Administrador do CTGA.

Ao fazer um enquadramento da atividade da APDA em contexto de pandemia, J. Henrique Salgado Zenha enunciou alguns dos mais recentes documentos que a Associação elaborou no âmbito do desenvolvimento e boa governança do setor, sublinhando igualmente o número de webinars realizados até à data (26 inclusive), cujas temáticas abordadas têm demonstrado elevada recetividade por parte do público. Apologista de que a reutilização é um tema de complexo, J. Henrique Salgado Zenha focou as necessidades efetivas que existem a nível de promoção de políticas, dirigidas às Entidades Gestoras, e de políticas de promoção, no âmbito de convencer o público em geral da utilidade da reutilização. No entanto, e tendo em conta que a promoção não pode ser pensada isoladamente, sublinhou um conjunto de questões económicas e regulatórias que se colocam, frisando igualmente que a promoção não pode ser voluntarista. Neste sentido, e para que a reutilização tenha futuro, J. Henrique Salgado Zenha defendeu ser essencial uma harmonização entre promoção, financiamento, economia e adequação da regulação, tendo apontado os riscos iminentes caso existam desequilíbrios entre estas vertentes.

Após uma breve introdução sobre a CEAR, Vânia Jesus debruçou-se sobre a comunicação “As necessidades da reutilização e as limitações da reutilização de águas residuais pelas Entidades Gestoras”, que elaborou em conjunto com outros elementos da referida comissão (Alexandra Sousa, Joana Vieira, Pedro Béraud e Sónia Pinto - também Vice-coordenadora). O objetivo foi evidenciar a necessidade da reutilização dos efluentes finais das ETAR, com base na realização de uma análise SWOT, bem como a apresentação da legislação e normativos vigentes.

A apresentar o “Guia para a reutilização de água para usos não potáveis”, elaborado pela APA, esteve Anabela Rebelo, que esclareceu os procedimentos existentes para apoiar as Entidades Gestoras no referido processo. Neste sentido, definiu o documento como uma ferramenta de trabalho intuitiva e dinâmica que, para além de dar resposta aos requisitos legais, pretende desmistificar a reutilização da água, bem como dar orientações para as diversas fases de um projeto, de modo a permitir efetivar a reutilização, no estrito cumprimento do normativo existente.

Entretanto, Sara Antunes explanou os projetos REUSE e AQUA VINI Sustentável, desenvolvidos pela ADP Valor no âmbito da reutilização da água na rega agrícola no Alentejo, região que apresenta tipicamente baixa precipitação e, simultaneamente, elevada intensidade de agricultura de regadio, acompanhada de uma evolução preocupante dos efeitos das alterações climáticas. O primeiro, com três eixos de atuação, visa a promoção da produção e utilização de água para reutilização na atividade de regadio, estando o segundo direcionado para a atividade vitivinícola, mais especificamente na vinha produzida na Herdade da Ravasqueira gerida pela Sociedade Agrícola D. Diniz, S.A.

Cristina Caldas apresentou de forma detalhada os principais produtos que o Grupo Contimetra/Sistimetra comercializa, contribuindo para que a reutilização se possa efetuar em Portugal com as melhores tecnologias disponíveis. Para além de destacar tipos de sistemas de desinfeção UV, técnicas de bio-remediação e medição de caudal em superfície livre, Cristina Caldas também indicou alguns casos de estudo, bem como exemplos de equipamentos utilizados em sistemas um pouco por todo o país.

A reutilização de águas residuais tratadas na rega de campos de golfe foi o mote da intervenção de Filipe Carraco, que contextualizou primeiramente a atividade do CTGA, o enquadramento legal da água para reutilização obtida a partir do tratamento de águas residuais, as metas para Portugal e as tecnologias aplicáveis neste âmbito. Foram apontados dois casos de estudo sobre reutilização de água residual tratada - na ETAR de Vila Real de Santo António e ETAR de Montemor-o-Velho - e um sobre a linha de tratamento para reutilização de água residual tratada - na ETAR de Espinho. Todos os projetos preveem, para além da rega de campos de golfe, outros usos para a água residual tratada (limpeza urbana ou das próprias instalações das ETAR, por exemplo).

Seguiu-se um participado período de debate, com múltiplas e diversas questões a serem esclarecidas pelos oradores, confirmando a necessidade de um evento desta natureza para as Entidades Gestoras, assim como a necessidade da CEAR prosseguir com mais eventos associados a este tema.