APDA FAZ HOJE 34 ANOS

13/01/2022

Cumprem-se hoje, 13 de janeiro de 2022, 34 anos que a APDA soletra todos os dias, em múltiplas ocasiões da sua crescente e rica atividade, esta palavra “água”.

Com efeito, “preservar o bem mais valioso” constitui o objetivo primeiro do nosso trabalho, reunindo os melhores para procurar e encontrar as soluções que sustentem a todos o direito à água e ao saneamento e, nestes tempos de incerteza e emergência climática e sanitária, contribuir para superar as dificuldades sentidas na sua adequada gestão e as ameaças que impendem sobre a sua disponibilidade, em Portugal e no Mundo.

É meu dever, assim, neste aniversário da APDA, cumprimentar todos (e, felizmente, são muitos!) os que partilham connosco os seus saberes e experiências, das mais diferentes formas, criando conhecimento e promovendo com os Órgãos Sociais da Associação, os nossos colaboradores permanentes e inúmeros convidados, iniciativas inovadoras e de progresso (como se revelaram ser os webinars de 2020 e 2021) no Setor da Água em Portugal, algumas já com significativa expressão internacional.

Esta capacidade de realização culminou em novembro passado com a realização do ENEG 2021, em Vilamoura, no Algarve, onde reunimos mais de 1000 participantes e expositores na maior conferência sobre a água já realizada em Portugal, discutindo e propondo, de modo informado, aberto e criativo, as “mudanças necessárias” que urge concretizar nas políticas de gestão de água, perante os graves cenários climáticos que se anunciam, por forma a garantir a “segurança hídrica” do País.

Alinhada com esta preocupante perspetiva, ainda em 2021, a Agência Portuguesa do Ambiente apresentou ao Conselho Nacional da Água o estudo “Avaliação das Disponibilidades Hídricas Atuais e Futuras”, realizado por uma equipa do IST coordenada pelo Professor Rodrigo Oliveira, onde se traçam cenários que confirmam as situações críticas que a APDA e outras entidades vêm enunciando. 

A APDA celebra este aniversário em plena campanha para as Eleições da Assembleia da República de 30 de janeiro. É sabido que muito há a fazer no que toca a medidas e soluções que se expressem em urgentes e adequadas decisões visando uma gestão sustentável da água. Porém, verifico que, até agora, a palavra “água” não foi sequer pronunciada pelos candidatos das diversas forças políticas, moderadores dos debates realizados ou respetivos comentadores.  

Não se entende a omissão, sabendo-se como o planeamento e a gestão da água serão um dos mais sérios e sensíveis problemas políticos com que se confrontarão os decisores.

A obtenção de segurança hídrica, constituindo reservas estratégicas de recursos hídricos superficiais e subterrâneos, associadas à aplicação de princípios e práticas de boa governança dos serviços de água e saneamento, deverá ser um pilar fundamental de política ambiental e de ação climática para o País, já afetado por secas, escassez de água e desertificação em mais de metade do seu território.

A insuficiente taxa de reabilitação e renovação das infraestruturas de água e saneamento, que se verifica em várias regiões, agrava a possibilidade de em Portugal poder ocorrer um cenário “Dia Zero na Torneiras dos Consumidores”, como na Cidade do Cabo, na África do Sul, sendo também uma ameaça em várias outras áreas do Mundo. 

Em síntese, neste 34.º aniversário da APDA reclamam-se decisões apropriadas para a gestão da água expressas em políticas públicas coerentes e com continuidade no espaço e no tempo, envolvendo as autoridades nacionais, regionais e locais, bem como os mais representativos “stakeholders” do setor.    

Lisboa, 13 de janeiro de 2022