A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP30, realizou-se em Belém, no Brasil, entre 10 e 21 de novembro de 2025, culminando com decisões significativas e consciência dos desafios persistentes na corrida global contra o aquecimento do planeta.
Entre os principais destaques, mais de 80 países, incluindo a Alemanha, Reino Unido, Suécia e Quénia, defenderam um “roadmap” para reduzir a produção e o consumo de petróleo, gás e carvão, enquanto os grandes produtores, como a China, Índia, Rússia e Arábia Saudita, resistiram a compromissos mais ambiciosos.
A União Europeia definiu uma posição clara que reflete a urgência de manter o alinhamento entre as suas “Contribuições Nacionalmente Determinadas” (NDCs) com o limite máximo de 1,5
ºC. No discurso de abertura, António Guterres, Secretário-geral da ONU, afirmou que fracassar este objetivo “é uma falha moral grave”, tendo advertido para os elevados riscos ecológicos e humanitários. Mesmo com os compromissos atuais, António Guterres enfatizou que o mundo tende a um aquecimento de cerca de 2,3
ºC, o que é alarmante.
No campo financeiro, o Brasil lançou o “Baku to Belém Roadmap”, com o objetivo de mobilizar até 1,3 triliões de dólares por ano para apoiar países em desenvolvimento na transição para economias de baixo carbono. A iniciativa centra-se em subsídios/ grants, bem como em atrair capital privado para permitir que países em desenvolvimento façam a referida transição. A União Europeia também destacou a mobilização de mais recursos financeiros, com ênfase na coesão entre fluxos públicos e privados.
A inclusão e justiça climática estiveram, igualmente, no centro do debate, com os líderes indígenas a exigirem o reconhecimento legal de terras tradicionais, bem como a necessidade de proteger 160 milhões de hectares de territórios indígenas até 2030.
A COP30 serviu ainda como rampa de lançamento para plataformas de tecnologia verde e inovação climática, incluindo o Green Digital Action Hub e o AI Climate Institute, com o intuito de capacitar países em desenvolvimento a aplicar inteligência artificial em soluções climáticas.
No total, 111 países apresentaram novas metas climáticas (NDCs), assinalando uma maior participação multilateral, continuando em negociação 145 temas prioritários que visam alinhar as ações globais até 2030.
Quanto aos desafios, a divisão sobre combustíveis fósseis, o financiamento climático e a equidade na tomada de decisões, revelam que, apesar dos avanços alcançados, ainda existe um longo caminho para consolidar ações concretas.
Como reflexões, a COP30 destacou o pouco tempo que existe para agir, sendo a cooperação global a chave para evitar impactos catastróficos resultantes das alterações climáticas. Foram muitos os compromissos anunciados, todavia, a demora e a falta de mecanismos concretos são riscos para a concretização das metas mais ambiciosas.
Este resumo da COP30 foi elaborado pela CEMAAC - Comissão Especializada de Mitigação e Adaptação às Alterações Climáticas da APDA.