"Água Inteligente, Sistemas Resilientes" foi o mote para as XVI Jornadas de Engenharia do Grupo Águas de Portugal, realizadas nos dias 25 e 26 de fevereiro, em Évora. Num momento de particular relevância para o setor da água, com os impactos recentes das tempestades e cheias em Portugal a tornarem a resiliência hídrica uma prioridade nacional inadiável, o evento reuniu especialistas nacionais e internacionais, decisores e profissionais do setor para debater os desafios e o futuro dos serviços de água e saneamento.
O primeiro dia, de acesso público, iniciou-se com uma sessão institucional com a participação de Jerónimo José, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Évora, João Pedro Rodrigues, Presidente da AdP VALOR, António Carmona Rodrigues, Presidente do Grupo Águas de Portugal, e João Manuel Esteves, Secretário de Estado do Ambiente, que presidiu aos trabalhos.

De seguida, decorreu a apresentação do caso de estudo internacional "Parceria para a Resiliência Hídrica em Valência", conduzida por Carlos Mundina Gómez, Vereador no Ayuntamiento de Valência e Presidente da Entidad Metropolitana de Servicios Hidráulicos e por dois representantes da Global Omnium/Aguas de Valencia: Dionisio García Comín, CEO e Javier Macián, Diretor de Operações de Água Potável. A experiência de Valência - cidade que foi atingida em outubro de 2024 por uma das cheias mais severas da sua história recente - ofereceu uma perspetiva direta e documentada sobre os limites e as possibilidades da resiliência nos sistemas urbanos de água.
O primeiro painel temático do evento, moderado por Rui Ferreira dos Santos, Professor Catedrático da NOVA FCT, aprofundou o papel económico, social e estratégico da água enquanto recurso essencial. Ana Abrunhosa, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, traz uma experiência de gestão de emergência recente e concreta: a liderança da resposta municipal às cheias que afetaram o Mondego nas últimas semanas, envolvendo a articulação com a proteção civil, a comunicação com as populações e a tomada de decisão sob pressão. Luís Pais Antunes, Presidente do Conselho Económico e Social de Portugal, contribui com a perspetiva sobre o valor social e económico da água; Teresa Núncio, Assessora do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente, com o enquadramento regulatório e ambiental; e Luísa Branco, Administradora da Águas de Portugal, com a visão do operador de sistemas.
Já durante a tarde, teve lugar o segundo painel, moderado por Jorge Vazquez, CFO da Randstad Global, centrando-se no capital humano como condição fundamental de qualquer sistema resiliente. António Ramalho, Presidente do Fórum dos Administradores e Gestores de Empresas, reúne uma experiência singular na liderança de grandes infraestruturas públicas nacionais, nomeadamente na presidência da Infraestruturas de Portugal, empresa resultante da fusão da REFER com a EP Estradas de Portugal, que lhe confere uma perspetiva particularmente pertinente sobre a construção de organizações capazes de resistir e responder em contextos de exigência elevada. Mariana Branquinho da Fonseca, Senior Client Partner da Korn Ferry e country chair em Portugal, trouxe a dimensão da liderança e da gestão de talento em organizações sob pressão; e Carlos Braziel David, Vice-Presidente da Águas de Portugal, a visão do principal Grupo nacional no setor do ambiente.
O último painel, dinamizado por Theo Fernandes, Fundador e CEO da CHIMP, abordou o papel crescente da inteligência artificial na transformação do setor hídrico. Steven Gauthier, diretor da equipa Global Water Practice da Roland Berger em Londres, trouxe uma perspetiva internacional baseada em trabalho de consultoria com utilities de água em múltiplos países, nas áreas de estratégia, transformação e melhoria de desempenho operacional. Ricardo Chaves, Chief AI Officer do BPI, contribuiu com a experiência de implementação de inteligência artificial num contexto financeiro de grande escala; e Ana Margarida Luís, Administradora da Águas de Portugal, com a perspetiva de operadores do setor da água.
O segundo dia das Jornadas, de acesso reservado aos profissionais do Grupo Águas de Portugal, destinou-se à partilha interna de experiências, desafios operacionais e boas práticas entre as empresas do Grupo.